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Cancro: riscos, sintomas e tratamento

O cancro é uma doença caracterizada por uma população de células que cresce, invade e destrói tecidos adjacentes, e pode se espalhar para lugares distantes no corpo, através de um processo chamado metástase.


Sintomas
Devido ao aumento do volume do tumor:
Dores nos ossos: permanentes, profundas, bem localizadas e podendo intensificar-se à noite. Aumentam rapidamente de intensidade em algumas semanas. Por vezes, contracturas musculares associadas. Frequentes na parte inferior da coluna vertebral (coluna lombar), mas também no cimo da coluna vertebral (coluna cervical), na bacia, na coxa (fémur) e na base do crânio.

Dores nos nervos: no trajecto does) nervo(s) comprimido(s), sensação de queimadura permanente, por vezes picos dolorosos como choques eléctricos. Dores devido à invasão do plexo braquial por um cancro no topo do pulmão: surdas, no ombro ou na omoplata. Irradiam depois para o braço, sendo então acompanhadas de formigueiro nos dedos.

Dores devido à invasão do plexo lombar por um cancro do cólon, do útero ou da próstata: assemelham-se à ciática ou à cruralgia. Por vezes, ardor no períneo (região entre os órgãos genitais e o ânus). Dificuldades progressivas de retenção da urinas ou das fezes.

Dores no abdómen: dores continuas ou evoluindo por paroxismos (crises mais dolorosas). Quando o tumor se desenvolve no figa do ou no pâncreas, as dores surgem tardiamente, pois só a cápsula que envolve o órgão é sensível à dor. São dores permanentes e profundas, que não se localizam necessariamente no órgão comprimido: no caso do pâncreas, por exemplo, dores intensas e surdas nas costas, entre as regiões dorsal e lombar.

Devido a tratamentos:
Neuropatias, puramente sensitivas ou sensitivo-motoras. Dores com sensações de entorpecimento ou mesmo de paralisia.
Zona, com alguns tipos de quimioterapia: dores intensas de tipo queimadura e prurido quando as vesículas surgem e após o seu desaparecimento.
Mucite, 2 a 3 semanas depois da utilização da bleomicina, do merotrexato ou do 5-fluorouracilo; ulcerações na região da boca ou do ânus.
Fracturas espontâneas, isto é, sem traumatismo inicial, que podem ocorrer durante o tratamento quimioterapêutico de algumas leucemias com fortes doses de corticosteróides.

Pessoas mais em risco
Cancro: mulheres ou homens. O tabaco e o amianto podem favorecer o aparecimento de cancros. Existem também factores genéticos. Os cancros são mais frequentes com a idade. Dores ligadas aos tratamentos: não existem factores de predisposição.

Porque dói?
As dores nas doenças cancerosas têm múltiplas causas. Em 70% dos casos, são dores de origem óssea ou devem-se à invasão pelo cancro de um plexo nervoso (agrupamento de nervos numa dada região) ou de órgãos, como o estômago, o cólon, ureteres.

Em 20 % dos casos, as dores são consequência dos tratamentos da doença. Apenas 3 a 10% dos doentes cancerosos sofrem de dores sem relação com o cancro ou o seu tratamento. Podem então ser afectados por osteoporose, por nevralgias benignas, por lombalgias, etc.

A dor deve-se à estimulação de receptores especializados no tratamento da informação dolorosa. Estes receptores estão situados na parede dos órgãos e só são estimulados quando o tumor atinge um tamanho significativo. Assim, a dor é um sinal muitas vezes tardio da existência do cancro, mas depois de instalada é difícil de tratar. Os tumores de pequenas dimensões são em geral indolores.

A mucite provoca a ulceração da mucosa da língua, tornando doloroso o contacto com os alimentos e a saliva.

O que pode fazer?
Em caso de boca seca e náuseas: beber coca-cola favorece a salivação e inibe os vómitos.
Fale imediatamente com o seu medico se houver dor, fadiga e perda de apetite. Entretanto, tome os antálgicos habituais. Informe o seu medico assistente e o seu oncologista sobre as dores que se verificam durance o tratamento.

Que tratamentos?
Medicamentos
O clínico geral ou o oncologista prescrevem morfina para atenuar as dores, podendo associar-lhe anti-inflamatórios ou corticosteróides. As mucites são tratadas por meio de bochechos com uma mistura de anestésicos locais, bicarbonato e antifúngicos. O tratamento das neuropatias consiste numa associação de antálgicos, anti-inflamatórios e/ou antidepressivos e antiepilépticos. As dores da zona tratam-se com antivirais e antálgicos potentes.

Cirurgia
Para retirar o tumor ou tratar as fracturas espontâneas.

Quimioterapia e radioterapia
São utilizadas, isoladamente ou em complemento da cirurgia, para tratar o tumor e as metástases ou evitar as recidivas.

As outras medicinas
Acupunctura
Associada aos tratamentos habituais (cirurgia, radioterapia e quimioterapia), ajuda a atenuar as dores e a suportar melhor os efeitos secundários da quimioterapia, principalmente os vómitos.