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Problemas intestinais

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Sabia que é um órgão cujo bom funcionamento pode influenciar em muito o nosso bem estar ? Aprenda a evitar os gases, as cólicas e a prisão de ventre.


O intestino é uma das razões mais frequentes das visitas médicas. Pela sua extensão, enervação abundante e exposição a alimentos e tóxicos, é uma órgão cujo bom funcionamento muito pode influenciar o nosso bem estar.

Não é raro conhecer pessoas com queixas de dores de barriga desde infância que foram rotuladas de nervosas e assim cresceram moldando-se àquele rótulo e assumindo mesmo o carácter de “stressado”. No entanto, apenas sofriam de intolerâncias alimentares e as dores traduziam mal estar e não nervosismo. Até à pouco tempo dizíamos aos que sofriam de gases:“Isso não é nada, são só gases e nervos”!

Mas, o intestino, encaixado entre o diafragma e os órgãos pélvicos pode criar dificuldades respiratórias, arritmias, irritabilidade urinária para alem das queixas próprias do órgão.

Queixas frequentes
Cólicas, gases e prisão de ventre são, talvez, as queixas mais frequentes no que diz respeito ao funcionamento do intestino. As cólicas recorrentes são na maior parte das vezes causadas por gases, embora outras causas tenham que ser excluídas. A primeira característica importante é saber se são recentes e se são acompanhadas por outros sintomas como a febre, diarreia, vómitos e emagrecimento. Uma dor abdominal aguda deve ser sempre avaliada por história clínica e palpação abdominal. É com as mãos que percebemos o abdómen. Outros exames, como análises, radiografias, ecografias, TAC e colonoscopia são posteriormente aconselhados conforme a avaliação do médico.

Teoricamente deveríamos todos, aos 50 anos (excepto casos familiares onde o rastreio se faz mais cedo), fazer a primeira colonoscopia para despiste do cancro do cólon cujos sintomas podem ser muito tardios e a detecção precoce oferece cura. Os gases causam dores, dificuldade respiratória ao empurrar o diafragma para cima, arritmias pela mesma razão, irritação da bexiga porque ambos os órgãos têm que partilhar o mesmo espaço anatómico e embaraço social.

Ter muitos gases não é normal. Há muitos factores que contribuem para gases: padrões de reactividade nervosa do intestino, tipo de alimentos, intolerâncias alimentares, stress, flora intestinal alterada, falta de exercício, medicamentos e tendência genética. À cabeça, os alimentos que mais causam gases em pessoas sensíveis são os lácteos (leite, iogurte, queijo fresco e mesmo o requeijão), o trigo (pão), as leguminosas (feijão de várias qualidades), algumas frutas mais do que outras (maçãs, peras, pêssegos) e dos legumes algumas couves, alcachofras e certas raízes. Se tem muitos gases procure ajuda. O intestino é muito importante para a sua saúde, é através da mucos intestinal que absorvemos todos os nutrientes de que necessitamos para o constante processo de renovação do nosso corpo.

A prisão de ventre provoca grande desconforto, a barriga tende a ficar inchada e as fezes mal cheirosa por putrefacção. Mais uma vez, é necessário distinguir se é uma queixa crónica ou recente. Uma regra simples é a de que qualquer alteração recente dos hábitos intestinais deve ser investigada pelo médico. Se não houver razão funcional o intestino tem que ser investigado. Mas mais frequente é a pessoa que “sempre sofreu de prisão de ventre”. Na maioria da vezes, na história clínica, encontram-se maus hábitos alimentares (dieta pobre em fibra, excesso de lácteos ou trigo), sedentarismo, stress e medicamentos como causas da obstipação.

Nos últimos anos, fizeram-se imensos progressos na compreensão de alguns destes problemas. Mais, também se compreendeu a ligação fundamental entre a saúde do intestino e o nosso sistema imune (veja artigo anterior). Já mais conhecida era a função fundamental de absorção dos nutrientes. Não ignore as queixas intestinais este órgão pode influenciar toda a sua saúde.
6 comentários
  • Valber
    26 de December
    Tenho problemas com extrasístoles desde meus 20 anos. A grande maioria das vezes elas estão relacionadas com excesso de gases, mas os cardiologistas desprezam esse fato.
  • marcio gaspar
    20 de November
    Eu tenho alguns episódios de extrassístoles, e sempre após a ocorrência de alguma ocorre liberação de gases, seja por flatulência ou arrotos. Eu fiz todos os exames cardíacos que pode imaginar: eletrocardiograma; ecocardiograma; holter 24h; looper; e outros, e nenhum problema foi encontrado. Apenas no looper é que foi identificada a extrassístole pela primeira vez. Existe comprovação científica que os gases podem gerar essa extrassístole? Obrigado.
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