Verde, verde, verde. Cheiro a musgo, a terra molhada. Verde. Uma neblina fresca que se cola à pele, uma nostalgia nem sei bem de quê, que se vai entranhando e trazendo memórias esquecidas de uma infância que nem sei se vivi.
Abro a janela (real ou imaginária?) do meu quarto. O verde estende-se à minha frente, entra por mim adentro, invade-me com o seu silêncio, com promessas de um regresso ao fundo de mim. Sinto que me começa a envolver.... Heras, glicínias, urze, musgo, crescem, enrolam-se, submergem-me, fazem de mim paisagem. Como se eu fosse pedra, tronco ou muro. E não serei? Quase que queria ser. Adormecer de olhos abertos, deixar-me embalar por este canto mágico...
Só acordo deste verde porque lá à frente, mais ao longe, brilha súbito e breve, um clarão azul de mar. E porque atrás de mim, ainda sem consciência da manhã, te sinto respirar serenamente sobre o branco alvo dos lençóis. Sopro da alma os restos de musgo e acordo-te. Que os dois temos ainda muito que andar.
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3º Prémio