Idade Maior

A amargura de Saramago

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“Não sou pessimista, o mundo é que é péssimo!, confessa José Saramago. As desiluções do Nobel português.


De viagem até S. Paulo, no Brasil, onde foi inaugurar uma exposição e lançar o livro “A Viagem do Elefante”, o escritor português José Saramago confirmou perante os jornalistas locais a sua fama de homem desiludido e amargo.

“Não sou pessimista, o mundo é que é péssimo!...”, declarou o Nobel da Literatura de 1998,em dado momento de uma longa conversa com os repórteres no Consulado de Portugal.
Sob e forma de perguntas, o autor de “Ensaio sobre a Cegueira” fez um retrato catastrófico do tempo presente: “Quantos delinquentes existem no mundo? A violência já atingiu o nível da barbárie. A corrupção chegou a tal ponto que é um problema de linguagem. A palavra bondade hoje significa qualquer coisa de ridículo. É preciso conquistar, triunfar. Ninguém se arrisca a dizer que o seu objectivo é ser bom. Querer ser bom numa época destas é apresentar-se como voluntário para a eliminação. Como chegámos a este ponto?”

Para Saramago, “não há alternativas políticas, a esquerda não está organizada” e a única saída para a humanidade é a transformação individual: “Para mudarmos a vida, é preciso mudarmos de vida.”

De qualquer forma, o escritor sublinhou que “A Viagem do Elefante” ainda é, no conjunto da sua obra, o livro em que há mais humor: “A história pedia isso. Mesmo tendo eu parado de escrever quando fiquei doente, não deixei em nenhum momento transparecer na obra que se tratava do livro de um escritor à beira da morte.”
“A Viagem do Elefante”, que será lançado em Portugal apenas a 3 de Dezembro, relata a viagem de um elefante indiano oferecido, em meados do século XVI, pelo rei D. João III ao seu primo arquiduque Maximiliano da Áustria, genro do imperador Carlos V.
1 comentários
  • Quanto te cobram pela felicidade? | Livraria do Thiago
    5 de Maio
    [...] Saramago disse numa ocasião “Não sou pessimista, o mundo é que é péssimo!…”. Qualquer um, com o mínimo de bom [...]